segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Johann Sebastian Bach: Ambiente de suas Influências.



Johann Sebastian Bach nasceu no dia 21 de março de 1685, Eisenach, numa pequena cidade da Turíngia, no Centro-Norte da Alemanha. Foi reconhecido como o maior organista e um excelente virtuoso, tanto no cravo como no violino. Ele também exercia obrigações de Kantor. Escreveu uma grande quantidade de música sacra, que era solicitada pelo culto luterano. Johann Sebastian Bach foi filho de Johann Ambrosius Bach, um músico da cidade, que foi o responsável por ensinar-lhe suas primeiras lições de violino e escrita musical, além de direcioná-lo à fé protestante. Quando seu pai morreu, Sebastian Bach teve que morar com seu irmão mais velho, Johann Christoph Bach, que era organista da igreja de São  Jorge. Com ele, teve a experiência de tocar órgão  e trabalhar composição. Johann Christoph, no entanto, não era um grande admirador do talento do seu irmão menor. Certa vez, Bach pediu-lhe que lhe deixasse estudar algumas partituras de Pachelbel - padrinho e professor de Christoph Bach - mas este não o permitiu. Mesmo assim, Sebastian Bach passou a copiar todas as noites as partituras do irmão enquanto ele dormia, para que pudesse estudá-las mais tarde. De nada valeu o esforço, pois quando eram descobertas, eram destruídas.           
A maneira como aprendeu a música estava vinculada à linhagem de músicos. As disposições e inclinações pessoais tornaram-no um compositor bastante preocupado com o aperfeiçoamento da Arte musical que existia naquela época.
Ele possuía uma vida pacata e considerava-se como um artesão consciencioso que estava à disposição de seus superiores para satisfazê-los no melhor do seu trabalho, visando à glorificação de Deus.                       
Johann Sebastian Bach foi levado a estudar em um seminário luterano, onde ficou internado durante uma temporada, o que lhe serviu de base para a sua formação, assim como o  influenciou e o orientou na composição de suas obras.       
No processo de estudo da música de outros compositores, Bach aprofundou-se por meio do método tradicional de ensino, que era muito comum na Europa daquela época, o qual  consistia em copiar ou escrever arranjos de músicas. Tal método permitia que se aprendessem harmonia, contraponto e estilo musical.           
Na formação de Bach, foi importante o fato de participar de uma sociedade em que o músico tinha uma função de Amparo à formação das comunidades.  Ele usufruía de uma posição fundamentalmente necessária na sociedade por ser exclusivo. Afinal, quando estava a serviço  de uma determinada comunidade, ele era responsável por promover e produzir a música para as igrejas locais, sendo altamente levado em consideração por todos.       
No  decorrer de sua vida, tornou-se mais conhecido como organista, ainda que exercesse as funções de consultor para a construção  de órgãos e  também compositor de trabalhos para estes mesmos instrumentos, os quais apresentavam gêneros livres, como os prelúdios-corais e as Fugas.
Por motivo de sua exímia habilidade, bem cedo sua reputação já era conhecida,  pela sua criatividade e destreza ao integrar aspectos de muitos  estilos diferentes dentro de  seu trabalho organístico.
A coluna de sustentação na construção de suas obras foi a retórica musical. Essa ossatura formal representava para Bach muito mais do que a simples convenção estilística, empregada de modo mais ou menos inconsciente, por seus contemporâneos. Bach arquitetava suas obras conscientemente e de acordo com a arte da retórica e o discurso dos sons.
Seus componentes de eloquência e oratória eram bastante acentuados e fundamentados nas teorias clássicas. Ele havia estudado Quintiliano e criou suas composições a partir de suas regras, obedecendo a uma maneira muito precisa. Utilizou essa forma por toda a vida, tentando esgotar por completo todas as possibilidades que a música oferecia em seus aspectos formais, harmônicos, expressivos e melódicos. Também usava o sentido de afeto, por ter formação em teologia e filosofia moral. Suas obras foram sendo elaboradas de forma intensa, tanto do ponto de vista racional como emocional, até aos últimos detalhes.
Bach foi  sem dúvida o único compositor do seu tempo que irrompia as barreiras entre a fundação da obra e a execução  dela. Defendia de maneira fundamental a música do seu período, o barroco.                           
Bach contou com inúmeras referências musicais importantes em sua vida .Uma influência muito importante foi exercida por Georg Böhm com quem estudou cravo, órgão e os princípios  do contraponto. Outro músico importante, que o influenciou e que pode ter sido sua principal fonte de inspiração  nos anos em que começara sua vida profissional, foi  Buxtehude, um fabuloso organista dinamarquês, referência na execução de teclados no final do século XVII.
Buxtehude nasceu em Helsingboarg em 1637. Não se tem muita coisa escrita sobre sua formação musical mas, provavelmente, foi orientado pelo seu pai por ser um singular organista e mestre de escola em Bad Oldesloe. Faz parte de seu estilo a improvisação virtuosística denominada de stylus phantasticus, que é uma abordagem mais instrumental, geralmente posta em prática, usando-se um instrumento de teclas; é, pois, mais voltada à ideia de improvisação, no sentido em que o compositor com o mínimo de recursos harmônicos poderá desenvolver uma longa composição.
A parte mais  proveitosa  de sua carreira  foi quando assumiu  o posto de seu sogro, Franz Tunder ,em Lubeck.                       
Em sua atividade, Buxterhude assumiu a função de organista de igreja e era responsável em  compor música sacra para o culto. Buxtehude compôs boa parte da sua música sacra para a Abendmusiken, concertos públicos que se seguiam aos serviços religiosos vespertinos em Lubeck no tempo do Advento. (GROUT,& PALISCA,1994,p 386). Estes se caracterizavam por serem saraus vespertinos organizados na igreja.
A atividade dos saraus foi idealizada, inicialmente, apenas como forma de entreter o público, previsto para ocorrer em cinco domingos por ano, precedendo o Natal.    Não houve músico alemão que não fizesse longas viagens para ouvi-lo. Um desses peregrinos foi Bach, que viajou mais de 300 km a pé, já no final do outono para poder encontrar Buxthude.
Johann Sebastian Bach foi bastante influenciado nas suas obras vocais por Buxthude, que foi um importante escritor na musica vocal.         
Na composição Choralvorspiele (prelúdios e corais)- denominação essa que corresponde à modesta função dos magníficos corais para órgão, notam-se as influências que recebeu de seus predecessores, como o estilo fugado, protótipo de Pachelbel com paráfrases ornamentadas, figuradas, em contraponto livre, sobre baixo ostinato.
A contribuição de um dos compositores que Bach admirava bastante e que exerceu certa influência em sua vida musical foi Antônio Vivaldi, que nasceu em 1678, em Veneza. Seu pai, Giovanni Battista Vivaldi, violinista da capela ducal de S. Marcos, foi quem lhe ensinou os principais  segredos do instrumento de quatro cordas.        Johann Sebastian Bach recebeu ensinamento de Vivaldi e de outros compositores italianos para escrever temas mais resumidos, concisos; a reforçar e clarificar a estrutura harmônica e a desenvolver títulos por meio de um fluxo rítmico constante, criando elementos formais de grande transparência e de grandiosas proporções, em destaque aos esquemas e contrastes  dos concertos com o uso do ritornelo.           
Sobre o compositor Antônio Vivaldi deve-se destacar que ele foi um dos maiorais da música de concerto. Exerceu bastante influência na música instrumental por meio de sua linguagem musical quase perfeita. Suas obras apresentavam riqueza melódica, vitalidade rítmica, hábil tratamento do colorido solístico e orquestral, e clareza na forma. As estruturas de seus concertos acabam desempenhando forte persuasão sobre os concertos de Bach, conforme se pode analisar nos concertos de Brandenburgo.
Vivaldi colaborou com a aprendizagem de Bach e isto é bastante evidente, quer na concepção de conjuntos ou nos aspectos de minúcia de inúmeros concertos.
Outro compositor importante na formação de Bach foi o italiano Arcângelo Corelli. Nascido por volta de 1653, passou a maior parte de sua vida na Itália. Estudou cerca de quatro anos em Bolonha, assimilando perfeitamente a arte dos mestres bolonheses e distinguindo-se dos demais. Bach, por sua vez , e como de costume, copiava alguns temas de fuga de Corelli.
É significante relatar que os princípios da arquitetura tonal foram estabelecidos por Corelli, sendo posteriormente desenvolvidos por Bach, por Vivaldi e por outros compositores. Suas músicas eram quase sempre integralmente diatônicas – escalas ordenadas por tons e semitom, como praxe de pensamento de escrita daqueles tempos, incrivelmente exuberantes.                                    Fazendo uma comparação, Arcângelo Corelli era, assim como Vivaldi, um virtuoso no violino e contribuiu de forma exuberante para consolidar modernas técnicas de arcada. Também foi um dos primeiros a usar os chamados “bicordes” e efeitos harmônicos no instrumento. Como  instrutor do instrumento de quatro cordas, suas realizações  foram notáveis, tendo entre  seus alunos  Francesco Germiniani e Antônio Vivaldi    .

Silvanaldo Marinho Pinto


Bibliografia

CANDÉ, Roland. História Universal da Música. São Paulo: Editora Martins Fontes, 2001.  

CARPEAUX, Otto Maria. O Livro de Ouro da História da Música: Da Idade Média ao Século XX. Rio de Janeiro: Edioro, 2001, 5ª edição.

GROUT, Donald J. & PALISCA, Claude V. História da Música Ocidental. Lisboa: Gradiva, 1994.

HARNONCOURT, Nikolaus. O Diálogo Musical: Monteverdi, Bach e Mozart. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1993.

MASSIN, Jean e Brigitte. História da Música Ocidental. Rio de Janeiro: Editora nova Fronteira, 1983.
       

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